O TAL DO TAO
CESAR SIMONY MIRANDA DOS ANJOS

Um dia saiu ao sol e se deu conta da própria sombra. Imaginou tratar-se de um amigo. Não a associou nem ao sol nem a si, mas às suas andanças por aqueles caminhos. De noite, o sol se foi, levando seu amigo. No outro dia, eis o amigo outra vez. Era um grande sujeito, ia com ele a todos os lugares, respondia a seus acenos, mas nada dizia. De tardinha, sentava-se cansado, virava-se para comentar algo e o amigo sumira. Mal dormia amedrontado com a possibilidade de que o amigo não voltasse. Mas no outro dia lá estava o amigo, às vezes a seu lado, noutras à sua frente, atrás, do outro lado, mas sempre por perto gesticulando muito, como ele, mas nada dizia, só ouvia. Era o amigo perfeito. Quando o sol se punha, dizia: "Adeus, meu amigo", e ia dormir.


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