AMIZADES QUE VALEM SAUDADES
ORLANDO PEREIRA COELHO FILHO
Meia noite, minha vigília, começa aqui.
Vou fazer mais uma poesia para você
que nem sei quem é, e nem sabe quem sou
você que eu amo na distância, sem rosto
sem história, sem memória, cujo gosto
ignora essa minha vontade de lhe dizer
que esse poema é feito das loucas horas
nas quais eu premeditei sua apoteótica
chegada, envolta em revoltos vórtices
de enluaradas luzes ainda mais caóticas.
Agora que a sibila conta o meu óbice
eu perdi meus óbitos, súbitos, sórdidos,
desfio meu relicário de testemunhos
intramuros, que são meus travesseiros
meus becos, meus guetos, meus duetos.
Toma minhas costelas como amuletos
e meus loucos olhares como isqueiros
que acendem cigarros nas escuridões.
E feito multidões com suas paixões
entregam-se sem medo ou pudor
aos desejos ainda mais lascivos.
E eu que vejo o goivo ruivo desses mimos,
risco em minha pauta, essa canção
que faço ao amigo, que digo
que mendigo os poucos minutos
minuetos que puder estar contigo.
Cinco horas, fim desta madrugada...
Cinco horas, finda a minha vigília.
Vou dormir agora, dezessete de maio.
Eu que perdi, nesse momento que arque
com o segundão, raios! Ele é o marraio,
Paschoalão, vai ouvir primeiro o novo Chico Buarque
Foi primeiro quem decolou deste chão.
Aos amigos de São José de Rio Preto
ao Admilson, de coração....