Miga, a Formiga Amiga
ANA MARIA DA COSTA RIBEIRO LINS e FÁBIO OLIVEIRA CAMPOS

___ Miga! Migaaaaaaaaa! Miga, minha querida amiga, fale comigo! Onde você está?
Miga, Miga... Você está aí. Ufa! Vejo que está bem.
Já lhe disse para não se arriscar tanto no beco dos monstruosos tamanduás.
Um dia você será engolida por um deles.
___Ora, ora! Deixe-me em paz, Tuco! Eu só estava me divertindo um pouco!
E você sabe que eu gosto demais de aventuras e o beco dos mons-tru-o-sos tamanduás é o ambiente ideal para viver deliciosas aventuras e para comer as melhores folhas da região.
Já lhe disse, Tuco: vê se não atrapalha! Eu só quero viver minha vida de aventuras. Eu quero ficar famosa no mundo inteiro.
___ Ah... Miga, você é tão pequenina! Não sabe o que está falando.

Miga era uma formiguinha muito faceira, muito serelepe e vivia se metendo em confusões no beco dos tamanduás no zoológico da cidade.

Tuco, o cachorro viralata que morava numa rua perto do zoológico, vivia protegendo sua querida Miga. Aliás, Miga era sua melhor e inesquecível amiga. Amizade à primeira vista, não sabia o porquê. Ele até a havia apelidado de Miga, a formiga amiga.

Todos os dias pela manhã Tuco fazia questão de ir ao formigueiro convidar Miga, sua amiga querida, para passear. Miga o esnobava, o achava um cachorro pulguento e chato, mas Tuco não se importava. Ele apenas amava sua querida amiga. Ela vivia arriscando sua vida em mil e uma aventuras e Tuco, seu amigo, sempre estava por perto para socorrê-la.

Uma vez, durante um temporal na cidade, Miga, a serelepe formiga amiga, sentiu vontade de tomar banho de chuva e saiu saltitante se esquivando dos grandes pingos d’água e se molhando toda nos pingos menores. Então a chuva ficou muito forte e Miga caiu na enxurrada e começou a se afogar e nadava, nadava, nadava e não conseguia sair daquele caudaloso rio. Finalmente, ela conseguiu subir numa folha e achou maravilhoso navegar naquele rio. Nem se lembrava que estava prestes a morrer afogada. Então Miga começou a gritar e a pular em cima da folha e dizia que era o capitão de um grande navio pirata e que estava indo desbravar mares nunca d´antes navegados. Miga não tinha noção do perigo que a espreitava: logo à frente uma enorme cachoeira havia se formado no esgoto da enxurrada. Quando Miga percebeu a enrascada em que havia entrado começou a tremer de medo e tentava remar contra a correnteza da enxurrada, mas suas patinhas eram tão pequenininhas que não conseguia mover-se nem um centímetro contra a maré daquele caudaloso rio. Então Miga ajoelhou-se e começou a pedir aos céus proteção e ficou desesperada e começou a gritar por socorro.
___ Socorro! Socorro! Socoooooooorrroooooooo!!!!
E começou a chorar, chorar, chorar.
Então, eis que aparece o seu grande e fiel amigo: Tuco.
Tuco entrou na enxurrada, mordeu a pontinha da folha, jogou sua amiga para cima e ela caiu em seus sujos porém macios pelos salvando-se do perigo que a ameaçava.
Miga, muito ingrata, foi logo brigando com Tuco:
___ Ai, que pelos mal-cheirosos, Tuco! Até parece que você não toma banho há séculos! Que horrível! Aproveite esta chuva e tome um banho seu cachorro mal-cheiroso.

Tuco nem se importou e continuou feliz por ter salvo sua melhor amiga. “Ela é tão bonitinha, tão bravinha, tão doce, tão frágil, tão inocente, tão...”, pensava Tuco. E seguiu até o formigueiro onde deixou sua amiga sã e salva.
E assim, Tuco, o amigo fiel e Miga, a amiga ingrata, seguiam suas vidas. Ele protegendo e salvando a sua querida amiga de todos os perigos em que se metia. Ela vivendo perigosamente, se aventurando cada dia em incríveis e perigosas histórias de ousadia.

O lugar que Tuco mais temia que pudesse acontecer algo com Miga era o beco dos horrendos tamanduás, afinal os tamanduás gostam muito de comer formigas.

Mas Miga não se intimidava: ela vivia entrando no beco dos tamanduás para brincar e comer as deliciosas folhinhas das plantas do beco. Atrevida e sorridente, ela dizia que aquelas folhinhas eram as mais gostosas da cidade. Sempre que Miga ia para o beco dos horrendos tamanduás, Tuco ficava alerta, pronto para salvar sua querida amiga, até que um dia...

Um dia, um horrível dia, um dia assustador, Tuco acordou sobressaltado... O coração doía, muito acelerado... Tuco saiu correndo até o formigueiro, mas não encontrou Miga. Ela saiu mais cedo. Estava com muita fome e foi comer as deliciosas folhinhas das plantas do beco dos horrendos tamanduás.

Tuco saiu em disparada, feito um louco. Correu, correu, correu tanto que suas pernas já não aguentavam mais e até sentiu lhe faltar o ar nos pulmões, mas ele conseguiu chegar ao beco dos horrendos tamanduás.

Ele chegou ao beco dos horrendos tamanduás gritando, chamando por Miga, sua melhor amiga.

Tarde demais.

Naquele dia, os horrendos tamanduás acordaram enraivecidos, furiosos e muito famintos e saíram comendo todas as formigas que viam pela frente. Quando Miga sentiu o perigo rondando, gritou desesperadamente por Tuco.

___Tuco! Tuuuuco! Tucoooooooo! Salve-me! Os horrendos tamanduás querem me comer! Socorroooooo!

Quando Tuco chegou ao beco dos horrendos tamanduás, uivou muito até espantar todos aqueles monstros. Na fuga, um dos tamanduás pisou em Miga. A pobre formiguinha não resistiu. Tuco chorou muito, muito mesmo! Tuco uivou muito alto e a cidade inteira ouviu e soube da tristeza do cachorro viralata. Então ele levou Miga, sua melhor amiga, para o banco da praça, onde sempre dormia e chorou muito, chorou tanto que adormeceu e sonhou que estava brincando com Miga, sua querida amiga, em um lugar que não tinha os horrendos tamanduás, nem tinha rios perigosos para colocar em risco a vida de sua amiguinha. Nesse lugar havia somente plantas com folhas deliciosas para Miga. Havia também muitos pássaros, muitas flores, muita paz. Era um lugar lindo.

Tuco não acordou mais, mas ele estava feliz, com Miga, sua grande e inesquecível amiga, no céu dos animais.


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