Nossa Amizade
ROBERIO CESAR CAMILO DOS SANTOS

A um amigo

Estou no ar, estou no mar e sou finito,
estou no vento, sou o movimento em teus sapatos,
sou teu amigo, estou na chuva com o guarda-chuva,
sou a gota aguda da água muda que inunda e sela
nossa amizade.

Tu és meu pai, não sou teu filho,
sou teu irmão, és minha mão, meu grande amigo,
a tatuagem, és a roupagem, sou tua guerra,
és minha paz, a luz que induz, conduz e traz.

Estou no ar me afundando em águas rasas,
e vou vestindo e me fundindo em cor de azul,
estou no mundo, vivo no afeto dessa amizade,
que faz meus dias, menos sofríveis e mais louváveis.

Sou teu amigo, tenho sorrisos a te dizer,
nossa amizade cresceu com o tempo e o entardecer,
este horizonte que a mim se funde feito o finito
é só um rabisco do que na vida só quer crescer.

És meu amigo, trago comigo nossa amizade,
e tua face tão solitária é uma canção
de olhar profundo, roupa lavada e pés no mundo,
que às vezes canta e às vezes chora com o coração.

Estou no ar, estou no mar, eu sinto o tempo,
é um catavento em teu moinho, em meu contrário,
que esfrega e cola, que gruda e sola feito ferrugem,
mas é o motivo do meu motivo para amar.

Sou teu amigo, tua amizade força a esperança
de uma criança que ainda corre com os pés no chão,
comum à parte da tua parte que ninguém vê,
a marca d’água feita na alma também você.

És o meu filho, minha amizade é de ti parte,
e de mim arte que em nós se funde a ferro e fogo,
eu sou teu brado mais solitário e mais sentido,
tu és meu tráfego, és meu refúgio, o mais bonito,
eu sou teu grito, sou teu amigo, arte por arte,
enquanto a tarde faz desse laço algo infinito.


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