Contrato (Ou uma ação entre amigos)
RICHARD ANTONIO MENDES
Negociamos boas ações
na bolsa dos valores
de nossas almas.
Trocamos papéis de toda natureza:
embrulhos de presentes, poemas,
papéis de carta,
surpresas.
Concedemo-nos mutuamente
cartas de crédito
e de solidariedade.
Não assinamos contrato
pois só incorremos em um risco,
talvez, um dia,
a saudade.
Não estamos alheios
às oscilações do mercado.
O “índice do fraterno” anda em baixa,
por isso mantemos
nosso sentimento blindado.
Investimos entre nós
as nossas credibilidades
e no apreço dessa confraria
realizamo-nos em sutis rentabilidades.
Somos bem cientes
dos ativos e passivos de nossa condição humana
por isso, no balanço da vida,
não mascaramos nossas veleidades.
Compartilhamos
lucros líquidos e perdas incertas
na certeza que sempre haverá
um resultado
de muitas e mútuas felicidades.
Enfim, os dividendos:
A felicidade...
Esse é o eterno e real valor
de nossa real e eterna amizade.
Amigo, amiga
valorizamos boas ações
na bolsa dos valores
de nossas almas.